Friday, February 15, 2013

Prólogo


Tudo começou em uma tarde divertida e pacata de reunião com minhas amigas do Mãe de Deus. Como toda reunião de colegial, com pessoas que depois de praticamente conviverem juntas, todos os dias e algumas noites também, incluem também, uma nostalgia, muita conversa  e também, porque não uma vontade de fazer inveja. 
Eu tinha acabado de sair da faculdade de enfermagem, e via minhas amigas casando, tendo filhos, trabalhando e sentia aquela pontinha como se eu estivesse perdendo o objetivo de vida. Eu tinha a opção de tentar fazer uma pós ou começar a ser corajosa e fazer o que eu realmente tinha vontade. Me soltar das amarras de dependência financeira e voar com as minhas próprias asas, assim mesmo como o clichê diz. 
Uma das minhas amigas havia acabado de passar com uma bolsa do CNPQ e estava morando em São Paulo e eu, bem, estava morando na casa dos meus pais e não tinha a mínima vontade de seguir a profissão para a qual eu havia estudado 4 anos. Como toda boa profissão, era uma profissão segura, digna... e chata. Não que eu fosse a pessoa mais interessante do mundo, com as minhas avassaladoras noites de sábado repletas de MSN e pipoca, mas eu queria tentar algo no qual eu não me sentisse uma estranha no ninho. 
Então, voltando à reunião: Estava lá eu, vendo como a vida nos leva para lugares diferentes, é engraçado como estamos juntas, adolescentes de 15 anos e, de repente, puf... uma bomba explode e empurra cada uma para um lugar diferente, como estilhaços. Bom, voltando a minha amiga. Quando perguntei para ela como ela havia conseguido a bolsa, ela me disse: Ah, procurei no site do CNPQ e da CAPES. Achei interessante e aquilo ficou arquivado num documento chamado “SONHOS REMOTOS” no HD da minha cabeça.
Em 2009 tentei o vestibular para Cinema e Vídeo que havia descoberto em meu tempo de faculdade enquanto fazia coral. E, para minha surpresa, passei. Chegando lá, perguntei já no primeiro dia se havia alguma chance de fazer um intercambio, se a faculdade tinha algum tipo de convênio com alguma universidade no exterior. A resposta foi não. Mas essa mesma professora comentou que estava em um doutorado sanduíche nos EUA e mais uma vez a Capes e CNPQ voltaram a ser mencionadas.
Eu entrei no site da CNPQ e da CAPES, ambas dificílimas de se entender. Era tanta informação que dava preguiça de ler... mas um dia, dizem as histórias, a Dilma foi fazer uma visita ai seu Obama, ou o Obama foi fazer uma visita a dona Dilma, e o Obama perguntou à Dilma. “Por que existem tão poucos intercambistas brasileiros estudando nos EUA e da Coréia do Sul tem tantos?” (conferir números direito). Dilma não teve uma resposta, apertou seus acessores e logo logo surgiu o Ciência sem Fronteiras. Não digo isso como propaganda política, ou intriga da oposição, pois não importa como foi gerado, o importante é que foi gerado.
Ah, as digressões... voltando novamente. Um dia, entrei na internet e procurei sobre graduação no exterior, ou algo parecido. O deus Google achou algo sobre o Ciência sem Fronteiras!!! E lá estava eu, como em tantas outras tardes, em frente ao computador, com o coração batendo rápido. Um aperto no estômago e o gérmen de uma esperança nascendo lá...lá... bem no fundinho.
Havia até um site desse programa e eu encontrei um link para Graduação Sanduíche. SIM! Existia! E eu me qualificava! É claro que nessa altura do campeonato, eu já estava lá pelo 3º Período da faculdade, mas ainda havia esperança, eu era brasileira (ainda sou com muito orgulho), estava entre 20 a 80%, era maior de 18 anos e blábláblá, enfim, eu me qualificava! Mas aquele semestre, já havia passado... será que eu conseguiria, enfim, ganhar uma bolsa de estudos?  
Tan..tan...tan... Cenas dos próximos capítulos... 
- Então não tem ninguém responsável na faculdade?
....
- Hum... protocolo?